sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O último discurso

de “O Grande Ditador”
Charles Chaplin

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O Shabat

A.J.Heschel
A civilização tecnológica é a conquista do espaço pelo homem.
É um triunfo freqüentemente conseguido mediante o sacrifício de um dos ingredientes essenciais da existência: o tempo. Na civilização tecnológica, gastamos tempo para ganhar espaço e o acréscimo de nosso poder no mundo do espaço se converte no nosso objetivo principal. Mas ter mais não significa ser mais. O poder que alcançamos no mundo do espaço, detêm-se bruscamente ante os limites do tempo. Mas o tempo é o coração da existência.
Uma das nossas principais tarefas é, certamente, conseguir o controle do mundo do espaço. O perigo começa quando, ao adquirir este poder no reino do espaço, traímos toda a aspiração no reino do tempo. Existe um reino do tempo, cujo objetivo não é ter, mas ser; não é possuir, mas dar; não é dominar, mas repartir; não é submeter, mas concordar. A vida adquire um sentido errado quanto ao controle do espaço, a conquista das coisas do espaço, convertem-se em nossa única preocupação.
Nada é mais útil que o poder, nada é mais terrível. Sofremos constantemente a degradação pela pobreza, e agora somos ameaçados pelo poder. Há felicidade no amor ao trabalho; há aflição no amor ao lucro. Muitos corações são quebrados na fonte do lucro, pois ao submeter-se à escravidão das coisas, o homem converte-se em um vazo que se quebra na fonte.
A civilização tecnológica deriva principalmente do instinto humano de submeter e dirigir as forças da natureza. A manufatura de ferramentas, a construção de casas e a navegação, tudo isso se desenvolve no mundo espacial do homem. A dedicação da mente humana nas coisas do espaço, afeta, até nossos dias, todas as atividades do homem. Também as religiões vêm-se dominadas, com freqüência, pela noção de que a divindade reside no espaço, em lugares determinados, como montanhas, bosques, árvores ou pedras, que são designados como lugares sagrados; a divindade está ligada a uma terra determinada, a santidade associada às coisas do espaço, deixando a questão fundamental: Aonde está Deus? A idéia de que Deus está presente no universo desperta um grande entusiasmo, ainda que tal idéia signifique Sua presença no espaço mas também no tempo, na natureza mas também na história, como se Ele fosse objeto e não espirito.
Inclusive n filosofia panteísta é uma religião do espaço: a concepção do Ser Supremo é a do espaço infinito. Deus sive natura possui como atributo a extensão ou o espaço, e no tempo; o tempo para Spinoza é simplesmente um acidente do movimento, uma maneira de pensar, e sua intenção de desenvolver uma filosofia more geométrico, a maneira da geometria, que é a ciência do espaço, denota as características de sua mentalidade espacial.
É difícil para a mente primitiva conceber uma idéia sem a ajuda da imaginação, e é no domínio do espaço onde a imaginação manifesta seu poder. A imagem dos deuses são visíveis, onde não há imagem não há deus. A reverência pelas imagens sagradas, pelos monumentos ou lugares sagrados, não somente é inerente à maioria das religiões, como também foi conservada pelo homem de todas as épocas, de todas as nações, piedosos, supersticiosos e inclusive anti-religiosos; todos continuam rendendo homenagens à estandartes e bandeiras, a santuários nacionais, a monumentos erguidos à reis e heróis. A profanação dos altares sagrados é considerada em qualquer lugar como um sacrilégio, e é tal a importância que o altar tem, que a idéia que representa é relegada ao esquecimento. O monumento converte-se em auxiliar para a amnésia, os meios deformam o fim. As coisas do espaço estão à mercê do homem, e se as considerarmos sagradas para serem profanadas, não o são para serem exploradas. Moldamos a imagem de Deus para perpetuar sua presença e reter o sagrado, ainda que um deus que possa ser moldado, um deus que possa ser confinado, não é mais que a sombra do homem.
Vivemos deslumbrados com o esplendor do espaço, pela grandiosidade das coisas do espaço. A “coisa” constitui uma categoria que pesa poderosamente sobre nossas mentes, tiranizando todos nossos pensamentos. Nossa imaginação tem que moldar todos os conceitos de sua imagem. Na nossa vida cotidiana, nos dedicamos principalmente ao que nossos sentidos nos transmitem, o que nossos olhos percebem, o que os nossos dedos tocam. A realidade é para nós o conjunto das coisas constituídas por substâncias que ocupam o espaço, e inclusive Deus é concebido como coisa pela maioria.
O resultado de tal submissão às coisas é a cegueira à toda realidade que não consiga identificar-se realmente com uma coisa. Isso fica evidente pela nossa compreensão do tempo, que por não ser concreto e substancial, torna-se como carente de realidade.
Sabemos, certamente, o que fazer com o espaço, mas não sabemos o que fazer com o tempo se não o subordinamos ao espaço. A maioria de nós trabalha com vontade pelas coisas do espaço, e padece, consequentemente, um temor ao tempo, profundamente enraizado, que nos deixa espantados quando vemo-nos obrigados a olhá-lo de frente. O tempo é para nós uma burla, um monstro arteiro e traidor, cujas faces queimam como forno cada instante de nossas vidas. Portanto, ao evita-lo, enfrentamo-nos com o tempo, refugiamo-nos das coisas do espaço. Depositamos no espaço as intenções que não somos capazes de realizar, e nossas pertinências convertem-se em símbolos de nossas repressões, em montes de frustrações. Mas os objetos do espaço não são incombustíveis, somente agregam combustível às chamas. Não será a alegria da possessão um antídoto contra o terror ao tempo, que cresce até o pânico ante a inevitável morte? Os objetos, ao magnificarem-se, tornam a felicidade falsa e, se constituem em uma ameaça a nossa vida, vivemos perseguidos mais do que amparados pelos Frankesteins dos objetos espaciais.
O homem não pode iludir-se com o problema do tempo. Quanto mais pensarmos nele, melhor compreenderemos que não é possível conquistar o tempo por meio do espaço: somente podemos dominar o tempo com o tempo.
O mais alto fim da vida espiritual não é acumular um mundo de informações, mas defrontar-se com os instantes sagrados. Numa experiência religiosa, por exemplo, não é uma coisa o que se impõe ao homem, mas sim uma presença espiritual. É o momento da visão interior o que mais se grava na alma e não o local onde esta aconteceu. Um instante de visão interior é um fato que nos transporta mais além dos confins do tempo. A decadência da vida espiritual começa quando deixamos de sentir a grandiosidade do inteiro no tempo.
Não é nossa intenção aqui menosprezar o mundo do espaço. Rebaixar o espaço e a benção dos objetos espaciais é menosprezar a obra da criação, a obra da qual Deus disse, ao completá-la, que “estava bem”. O mundo não pode ser visto exclusivamente sub specie temporis. O tempo e o espaço estão entrelaçados, e desdenhar qualquer deles é cegar-se parcialmente. Somente advogamos contra a redenção incondicional do homem ao espaço, contra sua escravatura às coisas. Não devemos esquecer que não é o objeto o que dá sentido ao momento; é o momento o que outorga sentido às coisas.
A Bíblia ocupa-se mais do tempo que do espaço. Vê o mundo sobre a dimensão do tempo. Presta maior atenção às gerações, aos acontecimentos do que aos países, as coisas; concede maior importância à história do que à geografia. Para compreendermos os ensinamentos da Bíblia, devemos aceitar sua premissa de que o tempo tem para a vida um significado ao menos igual ao do espaço; que o tempo possui significado e soberania próprios.
Não existe equivalente para a palavra “coisa” no hebraico bíblico. A palavra davar, que posteriormente chegou a designar “coisa”, representa no hebraico bíblico as seguintes conotações: fala, palavra, mensagem, informação, notícia, demanda, conselho, petição, promessa, decisão, sentença, tema, relato, dito, expressão, negócio, ocupação, ação, boas ações, acontecimentos, modo, maneira, razão, causa; mas nunca “coisa”. Este é um indício de pobreza lingüistica, ou a indicação de uma visão acertada do mundo, que não confunde a realidade (voz derivada da palavra latina re, coisa) com o mundo dos objetos?
Um dos feitos mais importantes na história das religiões, foi a transformação das festividades agrícolas em comemorações de acontecimentos históricos. As festividades dos povos antigos estavam intimamente ligadas as estações da natureza. Celebravam o que acontecia nas respectivas estações da vida da natureza. Assim, o valor de um dia festivo era determinado pelas coisas que a natureza produzia ou deixava de produzir. A Páscoa judaica, originariamente uma festa de primavera, converteu-se na celebração do êxodo do Egito; a Festa das Semanas, antiga festividade da colheita do trigo (“jag há-katsir”, Êxodo, 23:16, 34:22), converteu-se na celebração do dia em que a Torah foi entregue no Sinai; a Festa das Cabanas, antiga festividade da vendimia (“jag há-asif”, Êxodo, 23:16), comemora as cabanas em que viveram os israelitas durante sua permanência no deserto (Levitico, 23:42 e seguinte). Os acontecimentos assinalados da época histórica, foram para Israel mais significativos, espiritualmente, do que a repetição do processo do ciclo da natureza, mesmo quando dele dependesse sua subsistência física. Enquanto as divindades dos outros povos estavam associados a lugares e coisas, o Deus de Israel era o Deus dos acontecimentos, o Redentor dos escravos, o que havia revelado a Toráh, manifestando-se nos acontecimentos históricos mais do que em objetos ou lugares. Assim foi como nasceu a fé no incorpóreo, no inimaginável.
O judaísmo é a religião do tempo que aspira à santificação do tempo. A diferença do homem mentalmente dominado pelo espaço, para quem o tempo é invariável, homogêneo, para quem todas as horas são iguais, como conchas vazias na sua carência de qualidade, a Bíblia percebe o caráter distintivo do tempo. Não há duas horas idênticas, cada uma é única e especial em um dado momento, exclusiva e infinitamente preciosa.
O judaísmo nos ensina a mantermos a santidade no tempo, a sentirmo-nos ligados aos acontecimentos sagrados e a aprender a consagrar os santuários que emergem do grandioso fluir do ano. Os Shabatot, são nossas grandes catedrais e nosso Sancta Sanctorum é um altar que nem os romanos nem os germanos puderam destruir, um altar que nem a apostasia pode macular: o Dia do Perdão. Segundo os rabinos da antigüidade, não é a observância do Dia do Perdão, mas sim o dia em si mesmo, a “essência do Dia”, que com o arrependimento do homem expia os pecados dele.
O ritual judaico poderia ser descrito como a arte das formas simbólicas no tempo, como a arquitetura do tempo. A maior parte de suas observâncias, tais como o Shabat, a Lua Nova, as festividades, o ano Sabático e o do Jubileu, baseiam-se numa determinada hora do dia ou estação do ano. Assim, por exemplo, é a noite, a manhã ou a tarde que nos trazem o chamado à oração. Os temas principais da fé residem no reino do tempo: recordamos o dia do Êxodo do Egito, o dia em que Israel ergueu-se no Sinai e depositamos nossa esperança messiânica na expectativa de um dia, no fim dos dias.
Numa obra de arte de composição harmoniosa, não se introduz uma idéia de importância relevante ao azar, mas sim a apresenta, tal como um rei em uma cerimônia oficial, no momento e na maneira que destacará sua autoridade de primazia. As palavras são empregadas na Bíblia com muito cuidado, em especial aquelas que, a maneira de colunas de fogo, marcam o caminho do vasto sistema do significado do mundo bíblico.
Uma das palavras mais ilustres da Bíblia é a palavra “Kadosh”, sagrado, palavra mais representativa que qualquer outra do mistério e majestade do divino. Mas qual foi o primeiro objeto sagrado na história do mundo? Uma montanha? Um altar?
A ilustre palavra kadosh é verdadeiramente utilizada pela primeira vez em uma única ocasião: no Libro do Gênesis, no final da história da criação. Quanto extremadamente significativo é o feito de que aplique-a ao tempo: “E bendisse Deus o sétimo dia e santificou-o”. Não há referência alguma no registro da criação a nenhum objeto no espaço dotado com o atributo de santidade.
Este é um desvio radical do pensamento religioso corrente. O espírito místico talvez esperasse que Deus, depois de estabelecer o céu e a terra, criaria um lugar sagrado, uma montanha ou uma fonte, onde deveria fundar-se um santuário. Não obstante, parece que na Bíblia, a santidade no tempo, o Shabat, precede a todos os demais.
No princípio da história havia uma só santidade no mundo, a santidade no tempo. Quando a palavra de Deus ia ser expressada no Sinai, proclamou-se uma chamada de santidade para o homem: “Sereis para mim um povo sagrado”. Somente depois que o povo sucumbiu à tentação de render culto a uma coisa, o bezerro de ouro, foi ordenada a construção de um Tabernáculo, da santidade no espaço. A santidade no tempo era o princípio, seguida pela santidade do homem, e em último lugar, a santidade no espaço. O tempo foi consagrado por Deus; o espaço, o Tabernáculo, foi consagrado por Moisés.
Enquanto as festividades celebram acontecimentos ocorridos no tempo, a data do mês marcada no calendário a cada festividade é determinada pela vida da natureza. A Páscoa e a Festa das Cabanas, por exemplo, coincidem com a lua cheia, e a data de todas as festividades é um dia no mês e o mês é um reflexo do que se repete periodicamente no reino da natureza, posto que o mês judaico começa com a lua cheia, com o reaparecimento do crescente lunar no céu vespertino. O Shabat, ao contrário, é inteiramente independente do mês e não tem relação com a lua. Sua data não é determinada por nenhum acontecimento da natureza, como a lua nova, mas pelo ato da criação. Assim sendo, a essência do Shabat é absolutamente independente do mundo do espaço.
O significado do Shabat consiste mais na celebração do tempo do que na do espaço. Durante sete dias da semana, vivemos submetidos à tirania das coisas do espaço, no Shabat tratamos de nos por em sintonia com a santidade no tempo. É o dia em que somos chamados a participar do que há de eterno no tempo, a passar dos resultados da criação ao mistério da criação, do mundo da criação à criação do mundo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Safado

Site Heitor de Paola, por Ernesto Caruso.
Assim mesmo, pareceu soar, com letra maiúscula e exclamação, tal a indignidade demonstrada pelo senador Magno Malta (PR/ES) em pronunciamento no Senado desta República tão pouco republicana, pois o menos que se pensa é no povo, paradoxalmente a ele — gente, povo — mais se fala e se escreve.
E custa caro a esse povo dá-se prioridade ao gasto com a propaganda menoscabando as necessidades de um mamógrafo, do medicamento e do pediatra para amainar as dores do sofrimento físico, do câncer que o sufoca e da dor na alma ao abraçar, chorar e carregar o filho morto pelo vício do craque.
O senador estava transtornado, mas mediu as palavras, disse até que poderia ser processado ao deixar o cargo eletivo. Referia-se com tal veemência ao ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral do governo Dilma, por suas declarações no Fórum Social de Porto Alegre onde conclamou seus pares a disputar as ideologias da classe C com os líderes evangélicos classe. Além de safado, foi chamado de mentiroso e camaleão.
A crise com os evangélicos não fica só nesse quesito, reação que se estendeu por grande parte da sociedade por conta da nomeação da ministra Eleonora Menicucci na Secretaria de Políticas para as Mulheres. As declarações polêmicas da ministra ecoaram com a força imprimida por sua intenção, reforçadas pelo gesto de amizade que demonstrou no abraço forte e aconchegante na presidente Dilma, que lhe deu as boas vindas como “amiga e companheira”.
O choque com os cristãos foi inevitável ao defender a liberação do aborto, que levaria sua convicção para o governo e de forma mais contunde ao afirmar: “Me relaciono com homens e mulheres e tenho muito orgulho de minha filha, que é gay e teve uma filha por inseminação artificial.”
Além do companheirismo na luta armada pela implantação do regime comunista modelo cubano, a ministra recém nomeada foi dirigente da UNE e do Partido Operário Comunista (POC).
Compreende-se a atitude do senador evangélico, pois acreditara e apoiara a candidata Dilma, a despeito das suas posições passadas, mas que de certa forma assumia um compromisso por escrito na reta final da disputa eleitoral, mudando o rumo: “Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto do Evangelho.”
Dentre os tópicos da Mensagem da Dilma, destacam-se: - “Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto.” – “O PNDH3 é uma carta de intenção..... e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família.”
O senador Malta confiou, estava no palanque festivo bem perto da recém eleita presidente Dilma. O pastor Malafaia não acreditou e não apoiou essa candidatura. Malta lembra ainda que o ministro Carvalho o procurou para intermediar as relações do PT com os evangélicos, na acirrada disputa do segundo turno, quando se tratou da questão do aborto.
Na prática, os compromissos de campanha não são cumpridos. O “kit gay”, criado na gestão do então ministro da Educação, Fernando Haddad, para ser distribuído nas escolas, a nomeação da ministra abortista e as suas declarações, bem como as do ministro Carvalho puseram em ebulição a bancada evangélica no Congresso Nacional, ao que consta, já pede a demissão da ministra.
Já anunciado, Fernando Haddad vai enfrentar a mobilização dos evangélicos na sua disputa pela prefeitura de São Paulo, conforme declaração de Malta: “Nós vamos derrotar o Haddad e qualquer um que acredite em ‘kit gay’ e aborto”.
Não restou nítida a posição do Sen. Malta em relação à presidente Dilma.
Por outro lado, o pastor Malafaia foi visceralmente contrário à candidata Dilma, fez campanha contrária e mantém as mesmas convicções versus posturas petistas. Pelo jeito, está certo.
O PT diz, escreve uma coisa e, como “coisa”, não cumpre.
A nomeação dessa ministra é uma afronta e demonstra a determinação da atual presidente na consecução dos seus objetivos.

Como Assad e os opositores sírios conseguem armas.

No Estadão online. por Gustavo Chacara.
Descartando por enquanto uma intervenção externa na Síria, especialmente depois do fracasso na aprovação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e seus aliados europeus e árabes optaram por treinar e armar a oposição para esta ter a capacidade de lutar contra as forças de Bashar Assad. Ao mesmo tempo tentarão cortar o fornecimento de armamentos para o regime de Damasco.

Uma das dificuldades tem sido a logística para armar a oposição. Os principais choques acontecem em Homs, distante da fronteira com a Turquia. Desta forma, “a mais importante linha de fornecimento de armas para os rebeldes é o Líbano. Porém, também é a mais complicada de manter”, de acordo com análise da Stratfor.
A Síria mantém uma ampla rede de operações dentro do Líbano, que foi ocupado por tropas sírias por cerca de três décadas até 2005. Além disso, o regime de Assad conta com o apoio do Hezbollah, que é praticamente um Estado dentro do Estado no território libanês, sendo um dos integrantes da coalizão governamental – porém, ao contrário do que afirmam, está longe de controlar a administração libanesa.
“Os rebeldes sírios possuem duas principais rotas. Uma delas, é através da região norte do vale do Beqa em direção a Homs. A outra parte da área central do vale do Beqa, cruzando as montanhas do anti-Líbano, chegando a Zabadany, nos subúrbios de Damasco”, afirma Reva Bhalla, da Stratfor. Por este motivo, estas são justamente as duas áreas com mais levantes armados contra o regime de Assad.
O Hezbollah, apesar de poderoso, enfrenta dificuldades para atuar nestas regiões, majoritariamente sunitas dentro do Líbano, onde facções ligadas ao ex-premiê libanês, Saad Hariri, inimigo aberto de Assad, controlam a fronteira. “Ainda assim, a organização xiita, junto com membros da Guarda Revolucionária do Irã e agentes do regime sírio, tem agido intimidado os adversários através de seqüestros e até mesmo assassinatos”, afirma a Stratfor.
Segundo Wayne White, ex-diretor de inteligência de Oriente Médio no Departamento de Estado, os EUA também tentam “monitorar

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ministra de Dilma

No dia 14 de outubro de 2004, a então apenas professora Eleonora Menicucci, que tomou posse como ministra das Mulheres na semana passada, concedeu uma entrevista a uma interlocutora chamada Joana Maria. O texto está nos arquivos da Universidade Federal de Santa Catarina (a íntegra está aqui). Já fiz uma cópia de segurança porque essas coisas costumam desaparecer quando ganham publicidade. Está certamente entre as coisas mais estarrecedoras que já li. De sorte que encerro assim este primeiro parágrafo: se um torturador vier me dar a mão, eu a recuso, cheio de asco. Se a ministra Eleonora vier me dar a mão, eu me comportarei da mesma maneira, com o estômago igualmente convulso.
Antes que entre propriamente no mérito, algumas considerações. Aqui e ali, tenta-se caracterizar a ministra como uma espécie de defensora apenas intelectual do aborto, apegada à causa no universo conceitual, retórico, de sorte que a sua nomeação não representaria um engajamento da presidente Dilma Rousseff e de governo na causa do aborto. Falso! Falso e na contramão dos fatos. Alguns parlamentares, notadamente da bancada evangélica, fizeram duros discursos contra a ministra e foram caracterizados pela imprensa como uns primitivos ideológicos. Então vamos ver se a ministra está com a civilização…
Abaixo, transcrevo alguns trechos daquela sua entrevista, concedida quando ela já estava com 60 anos. Não se pode dizer que o diabo da imaturidade andava soprando em seus ouvidos. Não! Eleonora confessa na entrevista que não é apenas “abortista” — termo a que os ditos progressistas reagem porque o consideram uma pecha, uma mácula. Ela também é aborteira. Viajou pela sua ONG à Colômbia para aprender a fazer aborto por sucção, o método conhecido como AMIU (Aspiração Manual Intra-Uterina). Deixa claro que o objetivo de seu trabalho é fazer com que as pessoas se “autocapacitem” para o aborto, de sorte que ele possa ser feito por não-médicos. É o caso dela! Atenção! DILMA ROUSSEFF NOMEOU PARA O MINISTÉRIO DAS MULHERES uma senhora que defende que o aborto seja uma prática quase doméstica, sem o concurso dos médicos. Por isso ela própria, uma leiga, foi fazer um “treinamento”. Não! Jamais apertaria a mão de torturadores. E jamais apertaria a mão de dona Eleonora por isto aqui (volto depois)
“ESTIVE TAMBÉM FAZENDO UM TREINAMENTO DE ABORTO NA COLÔMBIA, POR ASPIRAÇÃO”Eleonora - Dois anos Aí, em São Paulo, eu integrei um grupo do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. ( ). E, nesse período, estive também pelo Coletivo fazendo um treinamento de aborto na Colômbia.Joana - Certo.Eleonora - O Coletivo nós críamos em 95.
Joana - Como é que era esse curso de aborto?Eleonora - Era nas Clínicas de Aborto. A gente aprendia a fazer aborto.Joana - Aprendia a fazer aborto?Eleonora - Com aspiração AMIU.Joana - Com aquele…
Eleonora - Com a sucção.Joana - Com a sucção. Imagino.Eleonora - Que eu chamo de AMIU. Porque a nossa perspectiva no Coletivo, a nossa base…
Joana - é que as pessoas se auto auto-fizessem!Eleonora - Autocapacitassem! E que pessoas não médicas podiam…
Joana - Claro!Eleonora - Lidar com o aborto.Joana - Claro!.Eleonora - Então vieram duas feministas que eram clientes, usuárias do Coletivo, as quais fizeram o primeiro auto-exame comigo. Então é uma coisa muito linda.Joana - Hum.Eleonora - Muito bonita! Descobrirem o colo do útero e…
Joana - Hum.Eleonora - Ter uma pessoa que segura na mão.Joana - Certo.
“NÓS DECIDIMOS, EU E O PARTIDO, QUE EU DEVERIA FAZER UM ABORTO”Num outro trecho, Eleonora conta como ela e o seu partido, o POC (Partido Operário Comunista), tomaram uma decisão: ela deveria fazer um aborto. Tratava-se apenas de uma questão… política!Eleonora - Porque a minha avaliação era que eu tinha que fazer
Joana - a luta armada aqui.Eleonora - a luta armada aqui. E um detalhe importante nessa trajetória é que, seis meses depois de essa minha filha ter nascido, eu fiquei grávida outra vez. Ai junto com a organização nós decidimos, a organização, nós, que eu deveria fazer aborto porque não era possível
Joana - Certo.
Eleonora - Na situação ter mais de uma criança, né? E eu não segurava também. Aí foi o segundo aborto que eu fiz.
“EU TIVE MINHA PRIMEIRA RELAÇÃO COM MULHER. E TRANSAVA COM HOMEM; ESTAVA COM MEU MARIDO”Falastrona e ególatra, como já apontei aqui, ela faz questão de contar na entrevista que teve a sua primeira relação homossexual quando ainda estava casada. Era o seu mergulho no que ela entende por feminismo.Eleonora - Aí já nessa época eu radicalizei meu feminismo. Eu comecei a militar.Joana - Onde?Eleonora - Em Belo Horizonte, eu comecei a militar neste grupo.Joana - Neste mesmo grupo?Eleonora - ÉJoana - O que se fazia além de discutir?Eleonora - Nós discutíamos o corpo.Joana - Certo.Eleonora - Discutíamos a sexualidade. Eu tive a minha primeira relação com mulher também.Joana - Hum.Eleonora - Quer dizer que foi bastante precoce pra essa E transava com homem.Joana - Certo.Eleonora - Pra minha trajetória
Joana - Mesmo porque tu também estavas com o teu marido eu acho, não estavas?
Eleonora
- Sim, sim.
Joana - Estavas. Ah
Eleonora - Mas nós nunca tivemos esse E ele era um cara muito libertário. Nós nunca tivemos essa questão de relação
Joana: Certo.
“SOU MUITO AMIGA DO FREI BETTO. ELE ME PÔS NO CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA DIOCESE DE JOÃO PESSOA”Ora, qual é o lugar ideal para uma humanista desse quilate trabalhar? Frei Betto — sim, aquele… — deu um jeito de arrumar para ela um emprego na Arquidiocese de João Pessoa:Eleonora - E aí, no início de 78, eu já tinha me separado do meu ex-marido e resolvo sair de Belo Horizonte. Aí quando eu saio de Belo Horizonte eu busco um lugar bem longe porque eu não queria mais ser referência para a esquerda.
( )
Eleonora - E eu não podia. Então eu procurei isso. Sou muito amiga, por incrível que pareça, a vida inteira, do Frei Betto e pedi a ele pra me encontrar um lugar o mais longe possível de Belo Horizonte. Aí ele falou “Eu tenho dois lugares onde a Diocese é muito aberta: em Vitória, com Dom Luís, ou em João Pessoa, com Dom José Maria Pires. Eu falei: “Eu quero João Pessoa”, quanto mais longe melhor.
( )
Eleonora - É Mas, assim, eu cheguei, eu. Eu tive que construir minha vida.
Joana - Hum. Foste trabalhar?Eleonora - No Centro de Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba.Joana - Tá legal.Eleonora - E aí eu comecei a trabalhar com as mulheres rurais de Alagamar, que era o que eu queria ( ) Logo depois, retomei um grupo, a minha atividade de grupo de reflexão feminista com algumas mulheres em João Pessoa. A maioria de fora de João Pessoa e duas de dentro Então nós criamos o primeiro grupo feminista lá em João Pessoa. Chamado Maria Mulher.( )
Eleonora - É. “Quem ama não mata” e “O silêncio é cúmplice da violência”, e aí começamos a nos articular dentro do Nordeste.
Joana - Tá.
Eleonora - Era o SOS Mulher. O SOS Corpo e um grupo de reflexão que tinha em Natal

Joana
: Hum.
Eleonora - De auto-reflexão. E no Maria Mulher, o que é que nós fazíamos? Nós fazíamos auto-exame de colo de útero, auto-exame de mama.( )
Eleonora - Depois, em 84, eu venho pra São Paulo fazer doutorado em Ciência Política, já articuladíssima…

Joana- Imagino…Eleonora - com o feminismo e com linhas de pesquisa bem definidas do ponto de vista feminista.Joana - Quem é que te orientou em São Paulo?Eleonora - Em São Paulo, foi a Maria Lúcia Montes, uma antropóloga. Embora, na época, ela fosse da Ciência Política. E, em 84, eu entro para o doutorado com uma tese que era sobre Direitos Reprodutivos e Direitos Sexuais a partir É a construção da cidadania a partir do conhecimento sobre o próprio corpo.Joana - Isso por conta do teu trabalho com as mulheres?Eleonora - Por conta do meu trabalho com as mulheres em uma favela chamada Favela Beira-Rio.Joana - Certo.Eleonora - Lá em João Pessoa.Joana - Hum.Eleonora - Que hoje é um bairro. Então nesta época eu fiquei quatro anos em São Paulo fazendo a tese e voltando a João Pessoa. ( ) E aí fui coordenadora do grupo de Mulher e Política da ANPOCS, do GT.
Joana: Hum.
“EU TINHA ATITUDES MASCULINAS ( ) ERA DECIDIDA, DETERMINADA, FORTE, SABIA ATIRAR”Neste trecho, ela revela como enxergava — enxergará ainda? — os papéis masculino e feminino. Ah, sim: ela sabia “atirar”. Afinal, não se tenta impor uma ditadura comunista no país só com bons sentimentos, não é?Joana - Já. E com relação às organizações das quais tu participavas?
Eleonora - Ah, primeiro que as mulheres dificilmente chegavam a um cargo de poder

Joana -
Mas tu eras a chefe?
Eleonora - Eu era. Fui uma das poucas. Por quê? Eu me travesti de masculino
Joana - É? Como era?
Eleonora - Eu tinha atitudes masculinas ( ) Era decidida, determinada, forte, sabia atirar

Joana -
Huuunnnn.
Eleonora - Entendeu?Joana - Entendi.Eleonora - Sendo que muitas mulheres sabiam isso tudo.Joana - Certo.Eleonora - Transava com vários homens.Joana - Certo.Eleonora - Essa questão do desejo e do prazer sempre foi uma coisa muito libertária pra mim, e por isso eu fui muito questionada dentro da esquerda.Joana - É?Eleonora - É.Joana - Dentro do mesmo grupo do qual tu eras a líder?Eleonora - Sim. Porque o próprio Por questões de segurança, eu só poderia ter relação sexual com os companheiros da minha organização.Joana - Certo.
Eleonora - Num determinado momento, sim, mas na história do movimento estudantil, também já existia isso.
“EU TIVE MUITAS REFLEXÕES COM MINHAS AMIGAS NA CADEIA; UMA DELAS, A DILMA”Neste outro trecho, a gente fica sabendo que Dilma Rousseff foi sua companheira também nas reflexões sobre o feminismo.Eleonora - E, depois, imediatamente eu quis ter outro filho
Joana - Hum.
Eleonora - E muito no sentido de pra provar para os torturadores, mesmo que fosse simbolicamente, que o que eles tinham feito comigo não tinha me tirado a possibilidade de reproduzir e de ter uma escolha sobre meu próprio corpo
Joana - Hum.Eleonora - Então eu tive mais um filho e logo que ele nasceu também de cesária eu me laqueei.Joana - Certo.Eleonora - Então Eu tinha , Eu fui presa com 24 para 25 mais ou menos.
Joana - Nossa Senhora!.Eleonora -.E sai com 30.Joana - Certo.Eleonora - Assim, da história toda e com 30 para 31, tive o meu segundo filho e fiz a laqueadura de trompas
( )
Joana - E então, tu saíste da cadeia em 74.
Eleonora - Certo.Joana - Tu tiveste algum contato com o feminismo dentro da cadeia, com leituras feministas.
Eleonora - Não.Joana - Ou depois?Eleonora - Não, não. Ao longo da cadeia eu tive Durante a cadeia? Eu tive muitas reflexões com as minhas companheiras de cadeia
Joana - Tá.Eleonora - Uma delas é a Dilma Roussef.( )
Joana - Fizeram uma espécie de grupo de consciência?
Eleonora - Grupo de reflexão lá dentro.Joana - Grupo de reflexão.
( )
Eleonora - Porque eu já saí É.. Eu já saí em 74, eu saí em outubro.
Joana - Certo.Eleonora - No dia 12, Dia da Criança, eu saí já bem claro que eu era feminista.Joana - Certo.Eleonora - E, logo que eu saí da cadeia, eu em Belo Horizonte, fui procurar um grupo de mulheres.Joana - Esses grupos de consciência?Eleonora - É, só que era um grupo de lésbicas.Joana - Certo.Eleonora - E eu não sabia. Era um grupo de pessoas amigas minhas.( )
Eleonora - Porque eu voltei a estudar!
Joana - Ah, legal!Eleonora - Eu parei de estudar em 68.Joana - Huuummm.Eleonora - Eu parei no quarto ano de Medicina e no quarto de Ciências Sociais.Joana - Foste concluir?Eleonora - Fui, aí eu voltei pra concluir.
Joana - Certo.
Eleonora - Na UFMG, e optei por acabar Sociologia.
“SOU AVÓ DE UMA CRIANÇA NASCIDA POR INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL NA MÃE LÉSBICA; E TAMBÉM SOU AVÓ DO ABORTO”Finalmente, destaco outro momento de grande indignidade na fala desta senhora. Ao se dizer avó de um neto gerado por inseminação numa filha lésbica e também “avó do aborto”, não só expõe a sua vida privada e a de seus familiares como, é inescapável constatar, demonstra não saber a exata diferença entre a vida e a morte. Leiam. Volto para encerrar.Eleonora - E eu digo que a questão feminista é tão dentro de mim, e a questão dos Direitos Reprodutivos também, que eu sou avó de uma criança que foi gerada por inseminação artificial na mãe lésbica.Joana - Hum, hum.
Eleonora - Então eu digo que sou avó da inseminação artificial.Joana: (risos)Eleonora - Alta tecnologia reprodutiva. E aí eu queria colocar a importância dessa discussão que o feminismo coloca no sentido do acesso às tecnologias reprodutivas.Joana - Certo.Eleonora - Entendeu? E eu diria: “Eu fiz dois abortos e também digo que sou avó do aborto também porque por mim já passou.Joana - Sim.
Eleonora - Também já passou nesse sentido. E diria que eu sou uma mulher muito feliz e muito realizada. E eu pauto em duas questões: na minha militância política e no feminismo.
EncerroÉ isso aí. Ao nomeá-la ministra, Dilma escolheu sua trajetória, suas idéias, suas práticas. Peço a vocês que comentem com a fleuma necessária. É preciso que se evidencie, com a devida serenidade, que uma aborteira informal e confessa não pode ter lugar na Esplanada dos Ministérios. A sua entrevista como um todo evidencia um pensamento torto. É inconcebível que esta senhora seja considerada uma articuladora de políticas públicas depois da confissão que fez. Até porque, se estivesse no Brasil, não na Colômbia, seu lugar seria a cadeia — em pleno regime democrático, sim, senhores!
É o fundo do poço.
Por Reinaldo Azevedo

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Brasil, soberania vulnerável

O que ocorre hoje no Brasil é uma invasão de ONGs internacionais, boa parte delas financiadas por poderosos grupos financeiros. Com o PT no governo, estas ONGs ganharam força. Muito embora, o governo de Fernando Henrique Cardoso, pouco fez para impedir as interferências das mesmas em nosso país. Porém elas evoluíram e nunca o Brasil foi tão submisso a interesses externos como o que presenciamos frequentemente, principalmente na questão ambiental.
Uma das ONGs mais atuantes é a WWF, sediada no EUA, que tem fortes financiadores e apoiadores. É contra a revisão do código florestal, como também vários projetos de infraestrutura que beneficiarão o desenvolvimento do Brasil. Mas qual o motivo de tal organização se colocar contra o progresso de nosso país? Quais interesses obscuros estão escondidos em sua suposta defesa do meio-ambiente? Em depoimento na CPI das ONGs no Senado em 22 de maio de 2001, o jornalista Lorenzo Carrasco correspondente da EIR no Brasil, relatou de forma clara os verdadeiros objetivos do movimento ambientalista no Brasil. A seguir alguns trechos de seu depoimento:
“As organizações não governamentais surgiram da fundação Commonwealth, no momento em que o império britânico passava a se reestruturar dentro da nova estrutura da comunidade das nações – Commonwealth – britânicas. Aí nasceu o conceito: uma ação como uma maneira de substituir o princípio de soberania nacional explicitamente.” O que observamos hoje em nosso país é justamente isso, ONGs interferindo na soberania do Brasil com alegações de proteger o meio-ambiente, porém, seus objetivos são atender aos interesses de grandes grupos internacionais.
“Investigações feitas pela EIR revelaram um esquema extremamente sofisticado, ligado diretamente aos mais altos círculos decisórios do Establishment oligárquico internacional, em torno da liderança das famílias reais do Reino Unido e da Holanda, os quais exerciam controle direto, tanto político como financeiro, sobre a vasta rede de ONGs integrantes do movimento ambientalista-indigenista. Desaforadamente, as negociações em torno da Rio 92, fizeram com que o governo da época cedesse as exigências externa do aparato ambientalista-indigenista fazendo concessões como a delimitação da gigantesca e despropositada reserva indígena Yanomani, na fronteira Brasil-Venezuela, evento que simbolizou a influência daquele aparato na definição das políticas públicas no Brasil.”
Lorenzo Carrasco é editor do livro “Máfia Verde: o ambientalismo à serviço do Governo Mundial”, mas a responsabilidade intelectual da obra é atribuída ao empresário norte-americano Lyndon LaRouche, proprietário da revista. O livro denuncia o que há de fato por traz dos movimentos ambientalista-indigenista. Motivo esse que despertou a ira do WWF, movendo ações judiciais para que o livro não fosse vendido. “Máfia Verde” coloca com riqueza de dados a influência do WWF em diversos segmentos, entre eles a Rede Globo de televisão que vem promovendo campanhas constantemente pró-ambientalismo, sendo José Roberto Marinho ex-presidente do WWF no Brasil.
O que vemos é um movimento ambientalista-indigenista, promovendo ideologias as quais buscam atender exclusivamente interesses de determinadas oligarquias internacionais. Graças a seu potencial principalmente no agronegócio, o Brasil passou a ser foco destas ONGs, impondo ao país regras a serem seguidas que afetarão profundamente o desenvolvimento econômico e social brasileiro. Por outro lado, o governo brasileiro está demonstrando certa cumplicidade com as mesmas, permitindo que a soberania do Brasil seja tripudiada e interesses externos venham prevalecer em dano do povo brasileiro.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Irresponsabilidade! Seu nome é Senador Suplicy.

Desta vez o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi além de tudo aquilo de que ele próprio é capaz! Seu ataque covarde à Polícia Militar de São Paulo não tem como ser respondido na esfera legal porque ele se esconde atrás da imunidade parlamentar. Vale dizer: usa um valor sagrado da democracia para poder caluniar à vontade, para poder difamar, para poder injuriar. Acho que já escrevi isto aqui e repito: NUNCA INTEGREI O GRUPO DAQUELES QUE CONSIDERAM SUPLICY UM IDIOTA MANSO! Eu o considero um calculista relativamente perigoso. Se não foi além do que pretendia na carreira política - três mandatos consecutivos para senador por São Paulo não é, de todo modo, pouca coisa -, isso se deve, sim, àquele estilo de aparência apalermada, que ele não pode evitar. Mas que não seja confundido com idiotia. Ele tem método. É o único elogio, se é que é um, que lhe posso fazer.
Já tive a chance de lhe dizer isso pessoalmente no aniversário de um conhecido comum, a que ambos estávamos presentes. O senador tentou me puxar ali para um embate simpático e coisa e tal e, num dado momento da conversa, resolveu convocar a “personagem Suplicy, o abestado”. Com cordialidade, pedi que voltássemos à toada anterior que eu, definitivamente, não estava entre aqueles que se deixavam seduzir por suas representações. Imediatamente, ele recobrou o tom mais grave que convém a um senador da República. Sigamos.
Suplicy fez ontem um violento discurso no Senado contra a Polícia Militar de São Paulo. No auge da ignomínia, abordou um relato que teria sido feito por uma família a um representante do Ministério Público Estadual, acusando PMs de estupro. Abaixo reproduzo trechos de um texto publicado no Portal G1 só para que fique o registro. A acusação saiu em toda parte. No “moderno” jornalismo, basta que o Indivíduo A - SE FOR PETISTA OU DE ESQUERDA - diga que o Indivíduo B fez alguma coisa. Isso ganha a rede. O acusado que se encarregue de desmentir, de provar que é inocente. Não é preciso verificar se a história faz sentido, conversar com as supostas vítimas… Nada! AFINAL, EXISTE O TAL “OUTRO LADO”, QUE DISPENSA O JORNALISTA DE QUALQUER APURAÇÃO. “E aí? É verdade que o senhor é estuprador?”
Leiam trechos do texto do G1. Volto em seguida com questões de lógica elementar. Ao fim de tudo, vocês vão ver o que INFORMA o comandante-geral da PM. E ENTÃO SABEREMOS UM POUCO MAIS SOBRE SUPLICY.
*Por Sandro Lima Do G1:
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou nesta sexta-feira (3), em discurso no plenário do Senado, que houve abuso sexual por parte de policiais militares na ação de desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos. O senador disse ter obtido as informações acompanhando o depoimento das vítimas ao Ministério Público do Estado de São Paulo nesta quarta (1º). Procurado pelo G1, o Ministério Público de São Paulo não confirmou até as 16h o depoimento ao qual se refere o senador Eduardo Suplicy. Mais tarde, na noite desta sexta (3), o comandante da PM, coronel Álvaro Camilo, deu entrevista coletiva e disse que não acredita nas denúncias devido a discrepâncias entre os relatos das supostas vítimas e dos policiais.
No depoimento, segundo o senador, as vítimas disseram que na noite de 22 de janeiro, no início da desocupação, vários policiais militares entraram em uma casa na região do Pinheirinho de modo “abrupto e violento” rendendo agressivamente um jovem de 17 anos e sua mulher, de 26 anos. Segundo o depoimento, havia seis pessoas na casa. De acordo com termo de declarações ao Ministério Público, cuja cópia o senador forneceu ao G1, os policiais renderam a mulher de 26 anos, a isolaram dos demais moradores da casa e a submeteram durante quatro horas a abuso sexual.
No documento, a vítima relata ainda que “durante o ataque foi retirada da casa e, segundo ela própria, mais uma vez seviciada no interior de uma viatura cinza, que identificou como sendo do grupamento Rota”. O adolescente de 17 anos, de acordo com o depoimento, “foi agredido fisicamente e psicologicamente” e ameaçado pelos policiais de “empalação com um cabo de vassoura untado de creme e pomada”. As vítimas mencionaram, segundo o documento, que “no decorrer dos fatos puderam identificar cerca de uma dúzia de policiais todos ostensivamente identificados como componentes do grupamento Rota”.
Os policiais, de acordo com o depoimento, “comeram a comida da casa, danificaram diversos objetos que guarneciam o imóvel, além de terem levado pertences e dinheiro que nada teriam a ver com qualquer atividade ilícita”. Suplicy disse que pediu aos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, proteção às vítimas.
(…)
Voltei
Quando o comandante-geral da PM relatar os fatos, vocês verão a enormidade do que fez Suplicy. Antes disso, vamos nos apegar apenas à lógica dos acontecimentos. Acho que vocês se lembram que não esperei a polícia americana demonstrar que Dominique Strauss-Kahn era inocente. É muito fácil reconhecer uma falácia. Ah, sim: essa história de o MPE não ter confirmado o relato do senador é para pegar trouxas. Sei como são as coisas porque já coordenei equipes de reportagem. Parlamentares e promotores combinam que vai vazar para a imprensa a informação. Como o meu compromisso é com você, leitor, conto como funciona. Ao MP pega mal fazer escarcéu com acusação tão grave sem ter uma miserável prova; a um senador política e moralmente inimputável, tudo bem! Adiante.
Vamos ver. Quer dizer que, numa operação tensa como foi a do Pinheirinho, 12 policiais puderam se dedicar durante quatro horas a sevícias sexuais. Lá fora, ameaça de confronto, correria etc. E os soldados ali, só ocupados no estupro coletivo. Todos os homens seriam da “Rota” - justamente a sigla mais temida pelos bandidos - e nem se ocuparam de esconder o rosto ou, sei lá, de não se exibir para a família. Ao contrário: praticaram o crime sabendo que, depois, poderiam ser identificados. Faz ou não faz sentido até aqui?
Vocês verão que essa família entrou em contado com a Polícia Civil (por outros motivos). Não se falou em estupro. O Pinheirinho era comandado pelo PSTU. Há vários advogados ligados à “causa” - inclusive o tal Aristeu, aquele que denunciou a existência de supostos mortos (eu até entrevistei uma “morta”…). Não se falou em estupro. Maria do Rosário, aquela que não vê ditadura em Cuba (nem enxerga as pessoas cegadas pelas polícias do Piauí, da Bahia e do Acre), despachou o Conselho Nacional de Direitos Humanos para o Pinheirinho para colher relatos. Não se falou em estupro. Preferiram outra vertente dramática: policiais teriam matado cachorros das crianças por pura maldade. Com bala de borracha? Com paulada? Não se viu nem corpo de gente nem de bicho. Moradores e militantes do Pinheirinho foram convocados a relata sua versão na Assembléia Legislativa. Não se falou em estupro.
Aí vem Suplicy. Com base no relato (suposto?) da vítima e dos três presos por tráfico, leva a denúncia ao Senado. Ainda que aquilo tudo lhe tivesse sido efetivamente dito, qual seria o comportamento de um homem responsável, de um político que se preza e que preza, então, as vítimas e uma instituição chamada “Polícia Militar”? Levar a denúncia, em sigilo, ao comando da PM, exigir a apuração rigorosa etc. Caso se constatasse que tudo era verdade, cobrar a devida publicidade. Caso se contatasse a mentira, como se verá, então não se macularia a honra de uma instituição e de seus homens.
Ocorre que o senador Eduardo Suplicy, o político, é um notório irresponsável. E não é de hoje. Com aquele seu ar apalermado, que sugere, vamos dizer assim, traços de idiotia clínica - É FALSA!!! - , vai liquidando reputações, destruindo instituições, esmagando pessoas. Faz campanha política. Ele queria as manchetes. E sabia que as teria porque boa parte do jornalismo é hoje um animal de estimação do PT, que nem lhe recolhe o cocô.
OS FATOS
Mais uma vez, por incrível que pareça, a Polícia Militar teve de provar o que não fez! Comecemos do básico. Existe, sim, uma denúncia feita ao Ministério Púbico Estadual e a Suplicy.
O que aconteceu?
1 - os policiais perseguiram quatro homens (um era o menor, de 17 anos) por tráfico de drogas;
2 - quando estavam para entrar na tal casa, os três maiores foram presos; com eles, drogas, dinheiro e uma espingarda calibre 12
3 - Atenção! Esses estão entre os denunciantes. A CASA NÃO FICA NO PINHEIRINHO, MAS NO CAMPO DOS ALEMÃES, QUE FICA PERTO DA ÁREA DESOCUPADA;
4 - A ação ocorreu às 3h30 do dia 23, e o Boletim de Ocorrência foi lavrado às 4h, embora, segundo a denúncia, as sevícias sexuais tivessem durado quatro longas horas;
5 - Havia uma advogada junto com os presos na delegacia. E ninguém disse uma miserável palavra sobre estupro.
6 - Como nada se disse na delegacia no próprio dia 23 - hoje já é dia 4 -, já não é mais possível fazer nem mesmo exame de corpo de delito, não é?
Chegamos a este ponto
Os jornais estão dando grande destaque à acusação de Suplicy, e as explicações do coronel Álvaro Camilo, comandante-geral da PM, entram a título de “outro lado”. E há até quem mostre certa indignação porque ele disse que não vai, não, afastar os policiais - no que faz muito bem! Não com uma denúncia feita nessas condições.
Sim, meus caros, chegamos ao ponto em que a palavra de três pessoas presas por tráfico de drogas vale muito mais do que a dos policiais militares. Mas com isso a gente até já estava meio acostumado. Ocorre que, como se vê, a história não poderia ser mais suspeita. E eis a Polícia Militar de São Paulo, uma das mais eficientes e disciplinadas do Brasil, obrigada a provar uma vez mais a sua inocência.
É o PT na área. É o senador Eduardo Suplicy já em ritmo de campanha eleitoral.
Eles não querem só a capital. Eles querem mesmo é governar São Paulo. Talvez seu projeto secreto seja implementar no Estado a qualidade administrativa, na área de Segurança Pública, que o governador petista Jaques Wagner implementou na Bahia.
Segue íntegra da nota da Polícia Militar
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Comando da Polícia Militar vem a público manifestar-se a respeito das denúncias apresentadas pelo Senador Eduardo Suplicy sobre supostos atos de violência e abuso sexual contra moradores em São José dos Campos. Nos últimos dez dias, a Polícia Militar tem sido alvo de acusações mentirosas relacionadas ao apoio prestado na ação judicial de reintegração de posse em Pinheirinho, na Cidade de São José dos Campos. São vários boatos de que crianças morreram, pessoas desapareceram, pessoas essas que depois foram localizadas, encontram-se muito bem e até concederam entrevistas desmentindo essas acusações.
A Polícia Militar é uma instituição séria, honrada, tem como princípio o respeito aos direitos humanos e pauta suas ações pela legalidade, sempre na defesa da vida, da integridade física e da dignidade da pessoa humana. Não passamos a mão na cabeça de maus policiais, somos firmes na depuração interna. Na realidade, o que temos é uma ação que foi desenvolvida pela ROTA, durante a proteção à cidade de São José dos Campos - que sofria atos de vandalismo -, numa ocorrência de tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo.
Tudo aconteceu na madrugada do dia 23 de janeiro, no Campo dos Alemães, não em Pinheirinho. No local, três adultos foram presos e um adolescente, apreendido. Eles foram autuados em flagrante delito com uma espingarda calibre 12, mais de 2 quilos de maconha, 300 gramas de cocaína e 1.382 reais em dinheiro.
Chama a atenção que nem os três adultos nem o adolescente, ou mesmo a advogada Aparecida Maria Pereira, que os acompanhava e figura no boletim de ocorrência como curadora do menor, tenham sequer mencionado qualquer abuso no ato da prisão, em São José dos Campos, só o fazendo agora, dez dias depois.
Repudiamos a forma como as denúncias foram feitas, mas não é por causa das mentiras de que a Instituição foi alvo que deixaremos de nos empenhar no esclarecimento sobre mais essa acusação, ora apresentada pelo Senador Eduardo Suplicy. E fica o compromisso do Comando-Geral, em respeito ao cidadão e dentro da transparência que nos é peculiar, de voltar a público para divulgar o resultado dessa apuração. São Paulo, 03 de fevereiro de 2012
Por Reinaldo Azevedo