quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Camisa-de-força

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 4 de janeiro de 2011
As declarações recentes da Igreja Anglicana do Brasil em favor do Projeto de Lei 122/06 fornecem-nos o exemplo completo e acabado da duplicidade de linguagem a que é preciso recorrer quando se defende o indefensável. Embora o estilo bífido seja o mais notório hábito do demônio, seu emprego não merecendo respeito nem tolerância sobretudo quando praticado em nome da religião, isto não implica, da parte de seus usuários, nenhuma intenção consciente de ludibriar o ouvinte ou leitor. Ao contrário: nos dias que correm, aquela ambigüidade sorrateira, perversa, que encobre com as mesmas palavras as ações mais opostas e contraditórias, já se tornou em muitas pessoas um vício automatizado e quase que uma segunda natureza. Isso não as desculpa de maneira alguma: o mal não se faz menos detestável porque uma rotina entorpecente o tornou indiscernível do bem.
Em si, o documento não tem aquele mínimo de consistência que o tornaria merecedor de uma resposta; está abaixo da possibilidade de ser debatido; só pode ser analisado como sintoma de vícios de pensamento que hoje em dia são gerais e endêmicos na sociedade brasileira.
O objetivo nominal com que se apresenta é contestar, com ares de quem passa pito, algumas objeções correntes àquela proposta legislativa, especialmente as que a vêem como instrumento destinado a limitar severamente a liberdade de expressão.
Crítica comum ao PLC n.º 122/06 é a de que o mesmo proibiria as pessoas de ‘criticarem a homossexualidade’ (sic) e que implicaria numa ‘ditadura’, numa ‘mordaça’ àqueles que ‘não concordam’ com o ‘estilo de vida homossexual’. Contudo, essas colocações se pautam ou em um simplismo acrítico ou em má-fé de seus defensores.
Contra essa objeção, alega a Igreja Anglicana que naquele projeto de lei “não há criminalização específica da discriminação não-violenta por orientação sexual ou por identidade de gênero”. Assim, estaria resguardado o direito à crítica: “Opiniões respeitosas, embora críticas, à pessoa homossexual não configurarão crime por força do PLC n.º 122/06”.
Se o leitor suspira aliviado diante dessas observações, faria melhor em notar que elas significam o oposto do que parecem dizer. Prossegue o documento: “Criticar a homossexualidade e não a pessoa homossexual concreta implica em (sic) um discurso segregacionista ... que se equipara a discursos de ódio que não pode ser tolerado.” A redação abominável mal esconde o sentido ameaçador daquilo que pretende vender como inofensivo: você pode criticar o homossexual por qualquer outra coisa – por usar uma gravata berrante, por cometer tantos erros de português quanto o porta-voz da Igreja Anglicana ou por soltar gases no elevador – mas nunca por sua conduta homossexual. Pior: não pode falar mal do homossexualismo em si, genericamente, sem qualquer referência a uma pessoa concreta, pois ser contra o homossexualismo é “discurso de ódio”, obviamente punível pelo PLC-122/06. Mais claramente ainda, o documento afirma que todas as modalidades de discriminação serão castigadas, ainda que “sejam tais ações perpetradas por motivação moral, ética, filosófica ou psicológica.” Quer dizer: a motivação moralmente elevada e a alta elaboração intelectual da crítica ao homossexualismo não a tornarão menos criminosa, nem menos punível.
Notem que aí o conceito de discriminação abrange quatro ações possíveis: agredir, constranger, intimidar e vexar. Vexar, prossegue o documento citando o Dicionário Houaiss, é “causar vexame ou humilhação, sendo vexame tudo o que causa vergonha ou afronta”. Ora, qualquer ensinamento que tente mostrar a um cidadão o caráter imoral ou pecaminoso da sua conduta, mesmo que o faça nos termos mais gentis e carinhosos do mundo, não tem como deixar de lhe infundir um sentimento de vergonha. Mais que vergonha, culpa e arrependimento, que não vêm sem humilhação. Em suma: a simples pregação moral que tente induzir um indivíduo a abandonar as práticas homossexuais já está catalogada de antemão como crime e nivelada às ações de “agredir, constranger e intimidar”.
A permissão de “opiniões respeitosas, embora críticas” é com toda a evidência uma armadilha destinada a proibir toda e qualquer opinião crítica, mesmo moralmente digna e fundada em motivos intelectualmente relevantes.
A própria escolha do adjetivo revela a ambigüidade maliciosa do autor do escrito. “Opiniões respeitosas”, diz ele. Respeitosas a quem e a quê? Respeitosas à pessoa humana somente ou respeitosa aos seus hábitos homossexuais também? É evidente que, se alguém considera um hábito respeitável, não tem por que criticá-lo do ponto de vista moral; se o critica, é porque não o considera respeitável de maneira alguma. Dito de outro modo: você pode criticar o homossexual, desde que aceite sua conduta homossexual como respeitável e superior a críticas e desde que se abstenha de dizer até mesmo alguma palavra contra a homossexualidade em geral.
Chamar isso de mordaça é eufemismo. Mordaça impede apenas de falar, não de pensar. O PL-122/06 não é uma mordaça: é uma camisa-de-força mental que impõe a todos os possíveis críticos do homossexualismo uma obrigação psicológicamente impossível, a de criticar sem críticas. Muito mais que restringir a liberdade de expressão, estrangula a liberdade de pensamento. É uma lei propositadamente absurda, feita na base da estimulação contraditória para instilar na população um estado de perplexidade apatetada, temor irracional e obediência canina. Se esse monstrengo jurídico digno da Rainha de Copas nasceu da pura confusão mental de seus autores ou de um propósito maquiavélico de reduzir o público à menoridade mental, é algo que se pode conjeturar. As duas hipóteses não se excluem – nem no projeto em si, nem na sua apologia anglicana.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/110104dc.html

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Dá para haver “Paz na Terra” quando não há “Paz no Útero”?

Como podemos falar de amar uns aos outros e acabar com as guerras quando travamos guerra contra os seres humanos mais inocentes e vulneráveis do planeta terra?

22 de dezembro de 2010 (Notícias Pró-Família) - Selecionando a árvore de Natal com as crianças, cantando hinos de Natal na igreja, ensinando meus filhos sobre o nascimento de nosso Salvador... Eu poderia continuar falando de muitas coisas que trazem alegria para mim durante a época de Natal; é uma época verdadeiramente cheia de encanto no ano.

Passo também boa parte da época de Natal sofrendo, triste e angustiado ao observar o que está acontecendo com nosso mundo. O Natal é um tempo para amor falso, paz fajuta e para as pessoas se iludirem na ideia de acharem que amam a Deus. A maior parte do que vemos é blasfêmia e não agrada nem um pouco a Deus. Deus conhece os nossos corações e sabe que a maior parte das celebridades que nos fazem mamar veneno e sujeira o ano inteiro só estão celebrando os feriados da boca para fora. Esse tipo de elogio fajuto e fé indiferente não agrada a Deus; não está de forma alguma enganando a Ele.
A época de Natal parece tornar todo mundo "cristão" por duas semanas; infelizmente, não funciona desse jeito. Às vezes acho que Deus se entristece mais na época de Natal do que em qualquer outra época do ano. O terceiro mandamento é que não devemos tomar o nome do Senhor em vão, e é exatamente isso que acontece quando o que falamos para Deus ou de Deus é da boca para fora.
Alguns de vocês podem estar pensando que preciso apenas me alegrar; afinal, é época de Natal. "Vamos lá, Bryan, apenas veja o lado bom de tudo e goze os feriados; não seja tão 'ranzinza'". Garanto-lhe que estou gozando meus momentos em casa neste exato momento, e toda a beleza e encanto desta época do ano.
Meu problema é que quando realmente penso na essência desta estação, não consigo ignorar as mentiras que estão fazendo com que a escuridão engula a sociedade. Se eu continuar a olhar para essa escuridão com cegueira nos olhos e apenas fingir que tudo está bem, então desperdicei minha oportunidade de brilhar a Luz da Verdade e da Esperança.
Um dos dizeres mais famosos que se ouve na época de Natal é de Lucas 2:14: "Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens". (Lucas 2:14)
"Paz na terra": tal simples sentimento é algo que ouvimos tantas vezes nesta época do ano. A maioria das pessoas parece querer paz na terra nesta época do ano: nada de guerras e nada de crimes, só todo mundo amando uns aos outros.
O problema com muitos que pedem paz na terra é que eles também defendem uma epidemia de violência que está varrendo a terra e tirando vidas inocentes aos milhões todos os anos. Na semana passada um tão chamado tribunal de "direitos humanos" ordenou que um país que protege a vida humana inocente comece a permitir a destruição da vida.
Nosso atual presidente foi eleito com a promessa de continuar a deteriorar as proteções aos nossos cidadãos americanos que estão ainda em gestação e até fortalecer as forças que querem matar esses americanos. O presidente Obama, que afirma ser seguidor de Cristo, na verdade louva e apoia uma das organizações mais malignas, destrutivas e cheias de ódio do planeta terra, a Federação de Planejamento Familiar*.
Anos atrás, a Federação de Planejamento Familiar zombou publicamente do conceito de "Paz na terra" ao distribuir cartões de Natal que declaravam "Escolha** na terra". Neste ano, a Federação de Planejamento Familiar está vendendo cupons que as pessoas podem usar para cobrir as despesas para matar seu próprio filho [em gestação numa clínica de aborto].
O lugar mais seguro para todas as crianças deveria ser, de fato, o útero de suas mães. Contudo, para milhares de crianças nos EUA todos os dias, esse é o lugar mais perigoso de se estar.
Como é que podemos verdadeiramente esperar ter paz na terra quando não há nenhuma paz no útero? Como podemos falar de amar uns aos outros e acabar com as guerras quando travamos guerra contra os seres humanos mais inocentes e vulneráveis do planeta terra?
Desde 22 de janeiro de 1973, nós como nação estamos roubando a oportunidade de mais de 53.000.000 de bebês de terem seu primeiro Natal.

Mais de 53.000.000 de menininhos e menininhas nunca conhecerão a alegria de desembrulhar papéis de presente e gritar de alegria ao verem o que está dentro.
O que está acontecendo é o contrário. Eles estão gritando, sem que ninguém os ouça, enquanto são despedaçados do útero de suas mães. Eles nunca serão embrulhados num cobertor e colocados nos braços de seus pais. Eles, como os papéis de presente na manhã de Natal, acabarão no lixo: jogados fora.
Enquanto isso continuar acontecendo na terra, não dá mesmo para haver paz.
Uma semana depois do Natal vem outro dia importante, o Dia de Ano Novo.

Todo ano, milhões de pessoas fazem decisões e promessas de Ano Novo de fazerem mudanças para o ano que está chegando.
Vou pedir que você faça comigo uma decisão de Ano Novo. Passei os últimos vinte quatro anos de minha vida lutando para acabar com o holocausto do aborto e vou me comprometer a continuar essa luta até dar meu último suspiro.
Quero saber se você quer fazer uma decisão comigo de assumir uma posição mais forte do que nunca antes, de levantar a voz mais do que nunca antes, de clamar mais alto do que nunca antes e de brilhar a luz de Cristo mais do que nunca antes.
Você tomará essa posição conosco?




Este artigo foi publicado com permissão de BryanKemper.com


* Nota do tradutor: A Federação de Planejamento Familiar, fundada por feminista marxista Margaret Sanger, é a maior rede de clínicas de aborto dos EUA.

** Nota do tradutor: "Escolha" (do original em inglês "choice") é termo usado por ativistas e grupos pró-aborto dos EUA. "Escolha" se refere à "escolha de matar o próprio filho em gestação". Em vez de se apresentarem como grupos ou indivíduos pró-aborto, eles preferem o termo "pró-escolha" (pro-choice).

Tradução: Julio Severo
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/there-can-be-no-peace-on-earth-without-peace-in-the-womb

Blog Mídia Sem Mascara.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Banalização do Mal

Para a Noite

Inclína-te, tu consoladora, suavemente sobre meu coração
Dá-me, silenciosa, o alívio das dores.
Cobre com tuas sombras sobretudo a claridade-
Dá-me  o cansaço e a fuga frente ao deslumbramento.

Deixa-me teu silêncio, o refrescante desprendimento
Deixa-me no escuro ocultar o mal
Se a claridade me atormenta com novas faces,
Dá-me tu a força para constante ação.
Hannah Arendt (1925-1926)

Hannah Arendt neste poema vislumbra a noite como um descanso, uma proteção que a consola e conforta, diferente da claridade que a assombra e lhe mostra um lado sombrio do tempo presente. A noite lhe abriga, oculta o mal, a claridade atormenta, apresenta novas faces de um futuro obscuro.
Hannah Arendt, filosofa alemã, judia, fugiu da perseguição nazista em 1933, morando 18 anos em Paris, sendo que em 1951 recebeu cidadania americana.
Em 1963 Hannah acompanhou o julgamento de Karl Adolf Eichmann, responsável pela deportação de milhares de judeus para campos de concentração. O comportamento de Eichmann durante o julgamento foi de total insensibilidade, frieza, indiferença, como sendo normais seus crímes, vendo-os apenas como um trabalho a ser executado, demontrando satisfação de dever cumprido.  Esse tipo de comportamento levou Hannah elaborar uma reflexão sobre a banalização do mal. A Alemanha incorporou essa situação com determinadas leis, perseguições e aos poucos foram sendo aceitas como normais até chegar a ponto em que todo um povo estava entorpecido pelo mal, vendo com naturalidade o extermínio de judeus.
Segundo Hannah Arendt o mal banal seria praticamente sem limites pois "pode crescer e devastar todo o mundo, porque ele se alastra como um fungo sobre a superfície".
O que vemos hoje é o politicamente correto travestido muitas vezes de Direitos Humanos, transferindo o mal que há no delinquente para sua vitima. Todos são culpados pelo assassinato, menos o criminoso, que passou a ser vítima do seu algoz, o assassinado. A banalização do mal superou todos os limites a ponto de ser considerado como bom.
Um dos pensamentos hoje que parasita pela mente humana é o Relativismo Cultural, onde o "Bem" significa o socialmente aprovado. Escolhe teus princípios morais segundo aquilo que tua sociedade aprova. O Relativismo Cultural, defende que o bem e o mal são relativos a cada cultura. Como é apresentado pelos relativistas o infanticídio pode ser mal para uma sociedade e um bem para outra, considerando o mal um termo relativo, não existindo verdade absoluta a respeito do bem e do mal.
"O socialismo internacional de hoje busca menos a criação de regimes socialistas do que a implantação de um complexo global de mutações na sociedade civil, na moral, nas relações familiares" Olavo Carvalho.
A mudança de valores está se tornando natural. As pessoas estão anestesiadas, estão aceitando o mal de uma forma natural. O que vemos hoje em nosso país nos mostra a decadência de nossos sentimentos e a depravação dos nossos conceitos morais.
"Tive que aceitar a cadeira de rodas, para não viver uma vida com ódio. Mas a minha é uma condição de prisão perpétua e não tenho como apelar a um tribunal, como ele".
Alberto Torregiani , atingido aos 15 anos no ataque que matou o pai dele.
“É uma ofensa para a Itália e para os parentes das vítimas. Não penso que a amizade entre a Itália e o Brasil possa suportar uma afronta como a que considera como um perseguido político, alguém que o nosso sistema judiciário livre e democrático julgou responsável de vários homicídios de policiais e civis”.
Ignazio La Russa, ministro da Defesa italiano.
As vítimas de Battisti são inúmeras. O relato acima de Alberto Torregiani, filho de umas das vítimas de Cesare Battisti que assistiu o assassinato brutal e covarde do seu pai, como também levou um tiro que o condenou a passar o resto dos seus dias em uma cadeira de rodas.
Cesare Battisti, encontra-se preso no Brasil, porém o governo Lula está para soltá-lo, alegando que seus crímes foram com objetivos politicos. Em breve estará em Copacabana, bebendo um chope bem gelado e não será dificil ganhar alguma verba do Ministério da Cultura, para escrever um livro, falando de suas "lutas"(ou melhor, de seus crimes). Sendo que este marginal foi condenado a prisão perpétua na Itália, mas o governo brasileiro insiste em não devolvê-lo ao seu país.
O apoio de Lula a ditadores é claro. Um exemplo tipíco é a proposta do governo brasileiro a ONU em relação aos países que violam os direitos humanos. O Itamaraty propôs que a organização evitasse censurá-los e procurasse dialogar. Como dialogar com fascínoras? Um desses déspotas, amigo do Lula é o presidente do Sudão, palco de massacres. Várias vezes vimos imagens de crianças esqueléticas famintas, mães sendo estupradas e mortas, vitimas de um governo insano e cruel. Quantas vezes nos emocionamos ao ver imagens tão  tristes. Não havendo por parte do Presidente Lula nem uma palavra contrária a esses covardes a não ser que devemos entendê-los e dialogar com os mesmos.
Quanto a Ahmadinejad, presidente o Irã, tem feito uma afirmação indecorosa afirmando que o Holocausto não existiu e seis milhões de mortos foi uma mentira israelense. Como se não bastasse, o bandido com o consentimento dos seus aiatolás afirma seu desejo de varrer Israel do mapa. Isso significa matar milhares de pessoas, milhares de inocentes:  homens, mulheres e crianças. Mas para Lula essas afirmações não significam nada. Ele concorda que o Irã tenha sua usina nuclear para fins pacíficos sendo que depois das afirmações de Ahmadinejad, todos sabem que o último objetivo desse monstro não é a paz e sim a destruição.
A banalização do mal se alastra a uma velocidade alarmante em todo o mundo. No caso do Brasil vemos sua força. Um governo que alia-se com os piores fascínoras do planeta, ditadores de países onde não existe direitos humanos, não existem crianças felizes brincando em parques, mas chorando por não terem um lar enquanto e nem mesmo um pedaço de pão para alimentarem-se, não existem jovens em colégios estudando e sonhando com seu futuro e sim jovens armados aprendendo a matar. Temos um presidente que banaliza o mal, que se encanta com o mal.  Como diz Hannah Arendt, "o mal se alastra como um fungo", Lula com todas estas amizades ou cumplicidades tem 84% de aprovação e se o aprovam é porque concordam e isto nos leva a crer que o mal está sendo ignorado ou aceito.